8.24.2006

Curso de Observação de Aves – Recife


A Associação dos Observadores de Aves de Pernambuco - OAP estará realizando nos dias 16 e 17 de setembro o 1º curso de Introdução a Prática de Observação de Aves, como o nome reflete, dedicado principalmente as pessoas que queiram se iniciar nessa bela prática. Muitas pessoas tem vontade de observar aves, mas acabam se desistimulando, pois além de não conhecerem as espécies, não conhecem outros praticantes, então este curso deixará a pessoas conhecendo o básico da observação, além da aproximação com antigos observadores. Este minicurso será realizado em Recife, no Parque Dois Irmãos (Zoológico).
Mais informações no excelente site da OAP

Vogelfestival

Aguarde! Em breve aqui as novidades do Festival Holandês de Birdwatching, Vogelfestival. Como sempre, posts da Fernanda Melo, direto da terra dos moinhos.

Cadastro de guias de Observação de Aves

Se você trabalha como guia de Observação de Aves, não se esqueça de enviar uma mensagem para o Fernando Straube, que está organizando um cadastro nacional de guias. Colabore com esse iniciativa, o endereço para contato é urutau-at-mulleriana.org.br. Se preferir deixe um post aqui.

8.23.2006

Frio!


Ave de país tropical, abençoado por Deus, a pobre Saira-azul fêmea, Dacnis cayana fica toda encorujada com o frio gelado dos últimos dias... as penas devem esquentar um bom tanto. E mesmo sendo passarinhologista eu, de minha parte, ao cair da noite, me escondo num cobertor de penas de ganso (aiaiaiai me entreguei) que é mais quentinho.

8.22.2006

Chegando lá



Aves normalmente são ariscas. Essa aqui é um bom exemplo. Há mais de 8 anos que vejo a maitaca Pionus maximiliani aqui na Serra do Japi e nunca consegui uma boa foto. Essa ave, assim como alguns outros papagaios, tem o hábito de voar cantando e pousar em silêncio isso dificulta sua localização. Nesse domingo, um deles pousou em um local aberto, eu estava a mais de 100m, e fiz a primeira foto, que ficou muito distante. Fui caminhando, por baixo das mangueiras e aproveitando toda brecha pra bater uma foto, cada vez, mais próximo. Saindo do abrigo das folhas o bichinho começou aficar inqueito, eu fui aproximando em zigue-zague, tentando colocar a ave em uma posição de luz mais favorável, mas não foi possível, antes que eu chegasse ela se foi...

Coração alado


Eupetomeno macroura, o Tesourão da Mata
Nessa época eles começam o ciclo reprodutivo e muita atividade por todo lado, beija-flores são um tipo de coração com asas. Sua capacidade de modulação energética é impressionante e eles variam entre um ciclo de muita atividade diurna onde o batimento cardiaco pode ir a 1000 e ciclos de repouso, onde o coração bate muito mais lento. Na minha teoria muito pessoal de evolução beija-florística, eles representam o uso mais aperfeiçoado da capacidade circulatória do coração de 4 cavidades, uma invenção das aves no mundo animal.

8.21.2006

Serra do Japi

Figuinha-de-rabo-castanho Conirostrum speciosum Uma fêmea, a foto ficou com uma luz super delicada e ela muito bonitinha. Aliás, nessa espécie a fêmea é mais colorida.

Fomos até a Serra do Japi, Antônio, Jeremy, Cristino e eu.
Caminhamos bastante e observamos pouco.
Mas foi muito interessante ver um grupo com diferentes graus de experiência e suas interrelações. O aprendizado é constante e permanente. Isso é uma da coisas que mais me atrai.

8.20.2006

Alerta para aves raras




Ola amigos...
Aqui vai mais um pouco de noticias da Bird Fair. Hoje foi o ultimo dia... que pena. Queria mostrar duas outras coisas pitorescas da feira. Uma é o programa RARE BIRD ALERT (Alerta para aves raras). Para vcs entenderem o grau de fanatismo dos ingleses (que sao chamados de Twitchers ou listers), eles tem uma rede na internet que oferece um serviço de informar aos participantes onde uma ave rara foi avistada recentemente, atraves de um pager ou do site. E cobram por isso! E os doidos pagam, e muito. E eles todos se deslocam para este lugar, pela chance de observar a tao preciosa ave.

A outra novidade interessante é o leilao silencioso, em que pessoas ou instituiçoes doam produtos para a birdfair e eles deixam espostos numa mesa. Quem quiser fazer seus lances falam com a atendente anotam o valor da proposta no material exposto. É uma forma interessante de se arrecadar dinheiro para os projetos de conservacao, que neste ano teve como tema o Papagaio do Pacifico (Pacific parrot).

8.19.2006

Bird Brain



Uma incrível festa das aves! Mais do que negócios, mais do turismo, mais do que ciência, a Bird Fair é uma festa de amor às aves... Veja mais novidades da BBF:

As três fotos são sobre uma brincadeira chamada THE BIRD BRAIN OF BRITAIN, que é um tipo de "quiz" sobre conhecimentos de aves do mundo. Há anos isto ocorre na bird fair, e eles ate editaram um livro, chamado com o mesmo nome. O cara que responde, geralmente é um birder fanático, que se inscreve para o show.
Fernanda Melo, direto de Egleton




eh muito legal..

8.18.2006

British Birdwatching Fair 18–Agosto

Nos próximos dias, vamos mostrar aqui uma cobertura completa (quase) da maior feira mundial de Observação de Aves, a British Birdwatching Fair. Nossa "repórter por 3 dias" Fernanda Melo vai nos guiar diariamente pelo interior dessa fabulosa feira e mostrar todos os detalhes (possíveis).
A Fernanda participa do stand do Refúgio Ecológico Caiman, um dos representantes brasileiros nessa festa das aves. Vamos olhando e aprendendo como fazer e então, quem sabe nosso, Avistar2010 vai ser mais ou menos assim, com a vantagem que temos muito mais passarinhos por aqui: – desde que conservemos nossa avifauna!. Acompanhe!

Textos e fotos de Fernanda Melo. (nosso agradecimento):


A British Birdwatching Fair (BBF) acontece todos os anos, numa pequena cidade chamada Oakham, no condado de Rutland no centro da Inglaterra. A feira de birdwatchers ocorre dentro de uma reserva biólogica chamada Egleton, e os organizadores montam todos os standes e marquises neste lugar (que sera removido no final). A placa desta foto indica o lugar da feira, e de tão popular que é tem ate uma placa especial.
N.E. detalhe importante esse, a feira acontece em uma reserva, tudo é montado, recebm milhares de visitantes e tudo é ordeiramente desmontado



Esta foto é um grande painel de arte, em que os participantes podem adcionar pinturas de passarinhos, cada dia acrescentam um pouco.

Muito equipamento para alimentacao de passarinhos. O inverno daqui é rigoroso, por isso eles estocam alimentos. A passarada adora! Tem todos os modelos imagináveis, para evitar esquilos e aves grandes como corvos etc.



Venda de equipamentos de varias marcas. Muitas marcas tem somente exposicao, nao vendem realmente o equipamento. Ai vem os supliers, que comercializam pra galera. Milhares de libras esterlinas.... gastas em equipamento de altissima qualidade.



Marquee (marquise) de binoculos e lunetas. Aqui podemos testar os equipamentos olhando para os bichos.

Vídeo de aves

Um dedicado trabalho de registro de nossas aves vem sendo feito no Rio Grande do Sul por Oscar Abner Fenalti, que já lançou 3 fitas/DVDs com um total mais de 100 espécies de aves filmadas na natureza.
Trata-se de um registro único da avifauna gaúcha realizado ao longo de 3 anos de filmagens pelo interior do RS. Curiós, gaturamos, sanhaços, saíras e muitos outros foram filmados em liberdade, cantando, voando, nidificando. Vale a pena conferir
Os vídeos tem em média 40 min. e estão disponíveis para compra no site da Atualidades Ornitológicas.

Beija-mulungú


Espécie-par muito característica nessa época do ano, o beija-mulungú se compõem de uma ave e uma flor. Um da família dos beija-florídeos e outra da família das mulungáceas. (existem controvérsias sobre o real nome dessas famílias)

Carrapateiro

Mivago chimachima, conhecido também como Gavião-de-anta, tem o hábito de sentar em cima do gado para comer carrapatos, antigamente quando as antas existiam, elas ao se sentir incomodadas, se dirigiam a uma área aberta e davam um grito característico, em pouco tempo o chimango pousava sobre o seu dorso pra fazer a limpeza. Hoje, nesses tempos sem graça do império humano, restaram somente as vacas e alguns burros. Seu canto justifica o outro nome pelo qual é chamado Gavião-pinhé.


8.16.2006

Tecnaturalista! Virou coluna!

Separei a parte de tecnologia desse blog para um outro blog autônomo, onde vou fazer analise de software, hardware e outras porcariadas tecnológicas para o naturalista geek! Por aqui ficamos com aves, observação e socio-filosofia dos observadores. hehehe

Tecnaturalista! É o desenvolvimento da coluna de mesmo nome que assino em Atualidades Ornitológicas, graças ao inestimável apoio de meu amigo Pedro Salviano, um pioneiro na edição de uma revista sobre nossas aves!

Espero que vcs. gostem!

8.15.2006

1.885.414

Esse é o número de aves presas em gaiolas no Brasil, número oficial do IBAMA, imagine só quantas outras sem registro. Quem sabe o tamanho do problema???

Somente de 10 espécies mais comuns temos:

Kurió–––––––––––––443.135
Kanário da Terra–––358.450
Trinka-fierro–––––––288.560
Koleiro––––––––––177.689
Bikudo–––––––––––97.357
Azulão––––––––––76.035
Pintassilgo––––––––63.804
Sabiá-Laranjeira–––45.598
Tempera-viola–––––34.183
num total de –––1.612.402

Dados de artigo de Rogéro Fujiura na AO 131 de junho 2006

8.14.2006

Por que as aves acordam tão cedo??

Essa é uma boa pergunta. Não sei responder com certeza. Talvez para aproveitar o horário mais fresco pela manhã para se alimentar. Com certeza depende de seus hábitos alimentares e de vôo, por exemplo os urubús começam a voar por volta das 8h00 pois dependem do início das térmicas para poder alçar o seu vôo planado. O mesmo vale para os gaviões. Mas vou pesquisar melhor esse assunto e volto a postar.

8.13.2006

Serra do Japi

Fomos passarinhar nesse fim de semana na serra do Japi. Muito divertido apesar de avistar poucas aves. Muito quente e seco, os passarinhos ficaram quietinhos. O ponto alto foi ter avistado pela primeira vez um Pavó na serra. Fantástico! Negro com o peito vermelho e vôo lento e leve, bem maior que uma pomba grande, óbvio que estava sem minha câmara nesse momento. Heheh.
Sábado
O passeio começou cedo, nos encontramos 06h30 na Sta. Clara, já ali observamos o Pula pula do rio, Basileuterus rivularis, assim como um Sanhaçu preto e um chopim, além de ver passar uma saracura correndo pela estrada. Estávamos eu, Jefferson e Antônio Mario, além de sua esposa Teresa. Subimos até a torre da TV cultura, sempre andando pela estradinha. Vimos tangarás, saíras, jacus e outros...Na volta fotografamos um casal de maria-faceira Serigma sibilatrix e observamos também o Pintassilgo, que eu nunca tinha visto por lá.
No final do passeio conseguimos boas fotos do balança-rabo-cabeçudo que já tinha fotografados – veja alguns "posts" abaixo. Foi muito legal quando, ao final do passeio, o Antônio conseguiu finalmente fotografar um Pitiguari e acabar com anos de curiosidade sobre qual seria a identidade desse insistente cantor das tardes de inverno. Veja a foto que acabou com o mistério.
Domingo
Domingo pela manhã fotografei um Gavião-carijó Rupornis magnirostris voando alto com a asa faltando umas penas. Depois chegou meu irmão e fizemos lindas fotos de beija-grevillia. Antes disso tinha andado pelas trilhas altas do meu sítio e avistado o Pavó Pyroderus scutatus, pra quem não conhece ele é uma araponga maior e com as cores invertidas. Se ela tem o corpo branco o Pavó tem o corpo negro. Seu papo é vermelho vivo e da Araponga é acianzado. Ambos pertencem a mesma família (cotingídeos) e são grandes frugívoros da mata atlântica. Procure na web uma foto do pavó e verá porque eu fiquei super chateado de não estar com minha camara na hora... Bem, fica como consolo a genial gravação que consegui do macaco sauá, um grande primata da região.
Ao finalda tarde, ainda sai para outra caminhada, com Carlos, meu irmão, que está se iniciando nas artes da fotografia de aves. Eramos dos grandes homens correndo atrás de passarinho com a câmara na mão, ao final do dia, luz baixa, ainda encontramos uma correição de formigas e o Olhos de brasa Pyriglena leucoptera que estava acompanhado de Habia Rubica se divertindo com as formigas, no solo e nem se importaram com a gente.
Terminamos catando uns jacus silhuetados contra o céu de mais um dia de inverno quente e seco.


8.11.2006

Fui pro mato!

Fui passarinhar na serra do Japi, segunda feira volto por aqui, com estórias e algumas fotos. Vou ver meu amigo Gavião Pega-macaco, vou ver alguns macacos que ele ainda num pegou, muito passarinhar, queimar um fogão a lenha e pensar um pouco na vida, que já se disse, não é fácil, nem pra mim, nem para ninguém. Vou ficar com vontade de ser passarinho, e pensar que talvez um dia os problemas passarão. Hoje só quero ir embora.

Como registro: existem 1 448 000 aves engaioladas no Brasil, somente contando as nativas registradas no IBAMA. Não é fácil, realmente não é fácil. Mas a gente não desite não. Ainda da pra fazer muita coisa. E vamos fazer.

8.10.2006

Bird Fair


Semana que vem terá início a Bird Fair, feira inglesa de Observação de Aves e maior feira mundial da área. Vale a pena dar uma olhada na programação disponível no site. É impressionante o grau de organização e a dimensão do mercado europeu de Observação de aves e de natureza em geral. Acompanhe no site AvistarBrasil uma cobertura inédita da BirdFair, com boletins e fotos diários, realizados por nossos correspondentes.
Todo ano eles promovem um grande leilão de obras e arquivos ligados às aves, para arrecadar fundos aos projetos apoiados no mundo inteiro. Esse ano alguns projetos brasileiros foram selecionados.

8.09.2006

Procurando casa!


Também a curruíra que mora no poste está procurando um lugar mais abrigado para fazer ninho... Vamos ver o que ela encontra nesse canto de telhado!

Olha o Pasarinho!

Antes de mais nada.
Alguém sabe porque o fotógrafo fala: Olha o passarinho, antes de disparar??

A corte....



7h00, o Sabiá já cantara toda a madrugada, talvez estivesse cansado de tanto cantar, mas o instinto e a força do amor foram mais fortes. O casal sobrevou a casa e pousando sobre o borda do telhado, a fêma num canto, o macho no outro, lá longe. Entre eles quase 4 metros de rufo de zinco, gelado ainda. Sabiá se aproxima, parando e cantando. Agita as asas, abaixa o bico, e a fêmea lá no canto do telhado, ele repetia os movimento e se aproximava, ela aguardando. De minha janela ainda vi quando os dois finalmente se dirigiram ao outro lado do telhado, já fora do meu campo de visão. De madrugada recomça o canto

Outros passarinhos


Um quatí e um sapinho, fotografados lá no Japi, nem tudo é passarinho em minha vida, mas boa parte fica pendurado nos galhos...

Gavião-pega-macaco

Esse gavião pega macaco está sempre voando sobre a serra do Japi, toda manhã, lá pelas 9h00 ele aproveita as primeiras térmicas para ganhar altura, as vezes bate as asas rapidamente e solta se ucanto inconfundível. Apesar de estar lá em cima da pra ter idéia de seu porte majestoso.

8.08.2006

Da torre


Voar não é mole, depois de um bom tempo sobrevoando a regão, uma hora ou outra, eles acabam pousando e escolhem invariavelmente a torre alta do celular. Lá em cima aguardam a próxima térmica, e se lançam para mais uma sessão de planeio.

8.06.2006

Macaco gordo!

Ai ai ai ai ai! Quem quebra galho é macaco gordo, passarinho pousa delicadamente e o galho nem sente. Azar o meu! Ao bater a foto fico com um galho bem na frente! Da cara, dos olhos do passarinho, fica um sabor de quase, uma sensação de por pouco, u mum pedacinho de passarinho pedindo pra gente voltar lá um dia. Na Serra do Japi.

Promoção Avistar-Rádio eldorado FM


Começa nessa segunda feira a promoção Aves do Pantanal. Uma ação conjunta da Rádio Eldorado e AvistarBrasil. Toda sexta feira de Agosto, o programa Planeta Eldorado, nas sextas feiras 12h, vai apresentar o canto de uma ave do Pantanal. Paralelamente no site da Eldorado, uma promoção vai premiar o vencedor com um fim de semana passarinhando no Parque do Zizo.
Participe!

Vida e morte.

Voltando da Serra do Japi, em plena rod. dos Bandeirantes, abastecendo a Land ainda suja da viagem ao Zizo do fim de semana passado. Quero-quero no gramado em frente ao posto, gritando sem parar e dando rasantes contra o solo. Entro no carro pego a câmara. Lá fora o passarinho ainda voando desesperado, no solo, o motivo:


Carcará-Pega-Mata-e-Come, sem dó de nada sai correndo com o filhote do Quero-quero no bico. Me escondo atrás da bomba de gasolina, não adianta, carcará é bicho ruim e me vê de longe, sai correndo desconfiado, o bichinho, pendurado no bico, não demonstra reação, tarde demais.
Carcará-Pega-Mata-e-Come, dá uma parada! Saio do posto e curzo a pista, um carro passa buzinando, um animal grita comigo, o barulho de um caminhão, os olhos somente no carcará. Difícil correr com os olhos na lente. A garra potente prende o filhote, o bico rasga o foco chega no ponto, muita luz, não tenho tempo, clico antes e pergunto depois.


600mm, na mão, o coração batendo a mil, já não me preocupo mais com os carros. O foco, carcará quer me encarar, olha. Pega um pedaço de carne inerte. Quero-quero deixou de voar faz muito tempo, se conformou. O gavião sai correndo leva o que fora um filhote, pendendo no bico.


Alça vôo, para num barranco do outro lado da pista, frentista me olha com olhar estranho, dono do posto me entrega a chave. A vida é dura, talvez não pra gente, um pouco pro quero-quero, mas do outro lado do mundo, a guerra.

8.04.2006

O texto de Helmut Sick

O texto de Helmut Sick em seu livro Ornitologia Brasileira revela o quanto é cuidadosa a sua observação e saboroso o aprendizado que advém diretamente do ato e da atitude no olhar:


TIETINGA, Cissopis leveriana

29cm, 75,8g (macho) e 67,5 g (fêmea). Espécie grande, peculiar, de cauda avantajada, inconfundível tanto no aspecto como no colorido alvinegro. O branco forma um V no lado superior, íris amarela. Voz: estridente "spix-spix" (chamada); cadência estereotipada de pios esganiçados, frequentemente trissilábicos, p. ex.: "zibi-zwí-ziú" repetidos em andamento rápido (canto). Atravessa a ramagem a longos pulos, acionando veementemente a cauda; vôo curto, produz forte e sonoro sussurro com as asas. Vive a altura média em beira de densa floresta e mata ribeirinha em pequenos bandos, ás vezes junto com o cardinalíneo Pitylus (Espírito Santo). Ocorre das Guianas e Venezuela a Bolívia; Brasil amazônico do sul dos Solimões até os Tapajós, Tapirapoã (Mato Grosso), sul do Pará (Gorotire) e Maranhão. De Pernambuco a Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Misiones e Paraguai; no Espírito Santo e Rio de Janeiro na região serrana. A forma amazônica é consideravelmente menor e tem as costas brancas. "Pipira" (Mato Grosso), "Probexim", "Sanhaço-tinga" (São Paulo), "Pintassilgo-do-mato-virgem", "Sabiá-tinga"; considerado pelos matutos como uma espécie de gralha (Corvidae), "Pega" (Pernambuco), lembra remotamente a pega européia (magpie) Pica pica, do hemisfério setentrional.

Observe como as palavras são usadas de forma precisa e ordenada segundo um modo de olhar. Vale como literatura, para quem gosta. Nosso mestre observador nos deixou um livro extremamente saboroso e criterioso, a um só tempo alemão e caboclo, com rigor centífico, jeito de mato e olhar de sabedoria.
Vale a pena a leitura.

Hein???

Passarinhar é uma arte!
Captar momentos únicos, ou mesmo duplos, da vida de uma ave é um enorme prazer. Afinal qua seria a realidade, se não fosse a fantasia, a criação e o sonho?
Essa ave, Avis rara muito rara, foi registrada uma única vez em toda sua vida e poderia mesmo ter acabado num museu de história natural, de anatomia, de excentricidades ou num show de horrores. Não! Nada disso! Num gesto de amor, não coletei esse espécime e fica aqui eternizado seu registro único, duplo talvez.










intervenção sobre foto de Ciro Albano

8.03.2006

Curso de Observação de Aves! Em Sampa!


Oportunidade imperdível!
A Triponjeep em parceria com a Pro-Aves vai promover um curso de observação de aves em São Paulo.
Vale a pena conferir!
Abaixo um resumo da programação.
Maiores detalhes no site da Triponjeep
ou pelo telefone 5543 5281

Objetivo
O curso tem como objetivo principal, passar informações básicas sobre a observação de aves em ambiente natural, desde a parte histórica, curiosidades e biologia das aves até assuntos mais específicos como técnicas e equipamentos utilizados para a observação.

Metodologia

O curso é dividido em duas partes, sendo uma teórica e outra prática.
A parte de campo será realizada durante uma manhã, onde todos os alunos terão a oportunidade de sair para observar as aves e colocar em prática todo o conteúdo ministrado em sala de aula.
O encerramento do curso será realizado de maneira dinâmica, onde cada participante descreverá a experiência vivida durante a parte prática, suas impressões sobre o curso.

Curso apostilado e com certificado de participação.

Temas abordados

Ì Introdução sobre ornitologia
Ì Importância geral das aves
Ì Importância das plantas para as aves
Ì Importância das aves para as plantas
Ì Observação de aves na natureza
Ì Atividade profissional de observação de aves - Birdwatching
Ì Fotografia de aves

Instrutor
Fábio Schunck é biólogo especialista em ornitologia e ecoturismo. Atualmente trabalha como pesquisador/colaborador do Departamento de Zoologia do IB - Instituto de Biociências da USP e MZUSP - Museu de Zoologia da USP e como consultor em projetos ambientais e com trabalhos de fotografia de natureza.

Para a realização da saída de campo cada participante terá que trazer:
Material obrigatório:
- Binóculos
- Caderneta de anotação e lápis
- Roupa discreta (de cores neutras como: verde, marrom, cinza ou camuflada)
Material opcional recomendado:
- Bota de borracha
- Chapéu ou boné
- Câmera fotográfica
- Gravador K7 manual

Roteiro

SÁBADO - 02/09/2006

Saída pela manhã e recepção no local
Apresentação do curso
Parte teórica
Saída noturna para observar aves
...............................................................

DOMINGO - 03/09/2006

Saída para observar aves – Parte prática
Discussão dos resultados obtidos e
troca de experiências
Encerramento do curso

8.02.2006

Sonogramas animados

Avian chorale, um filme construido a partir de sonogramas de um coral de uma ave da família das curruíras. O canto da Thryothorus euophrys o "Garrinchão-de-cauda-longa", é reconhecido como a mais complexa vocalização dentre os animais, exibindo uma riqueza harmônica comparável aos arranjos corais humanos. O canto está depositado no excelente Xeno-canto, em uma gravação de Willem-Pier Vellinga realizada no Ecuador.
Abaixo está o filme realizado por Mark Fischer, um artista do sonograma que anima a seqüência harmônica no tempo da música. O timming do canto foi ralentado em 40% para facilitar a visualização. Veja também as experiências que ele faz com canto das baleias. Aquasonic.com




8.01.2006

Go trogon go!

Zóio



Chuva, tudo cinza,


cigarrinha, também chamada de Sporophila unicolor
viuvinha, também conhecida como Colonus colona, isso num dia bem chuvoso, lá no Zizo

Sleep can wait, I'm going for birding

Tive o previlégio de conhecer Mr. Charles Moore, um amante das aves. Um dos mais dedicados observadores que encontrei até hoje. Charles trabalha na Britsh Airways, onde se engajou como chefe de cabine há mais de 15 anos, com o único objetivo de viajar pelo mundo passarinhando.
Charles ama as aves.
Seu blog pessoal é espelho de sua dedicação, lá você pode ver como Charlie ajuda os passarinheiros africanos, montou uma ONG passarinheira na Coréia, criou sites ativistas, divulga iniciativas e está sempre fazendo todo o possível para que as pessoas amem e conservem suas aves. Como se isso não bastasse, após a noite inteira comandando o serviço de bordo de um jumbo superlotado, saindo de Londres e chegando no Brasil as 05h00, Charlie nos encontrou em Cumbica e dalí rumamos direto ao Pq do Zizo, preocupados com a chuva e frio. No caminho paramos diversas vezes para observar toda e qualquer ave minimamente interessante que cruzasse nosso caminho, chegamos lá sob intensa chuva e sob chuva ficamos o dia todo, andando de lá pra cá, Charles ainda sem dormir e andando por todo o Parque. Fotografando, anotando, verificando em seu livro.
– we could walk a hundred time this same trail and each time find a new specie of bird –
Assim foram, dois dias, num frio londrino, Charles andando, fotografando, maravilhado com a floresta, em plena chuva, num gesto de solidariedade com os passarinhos, que mesmo encharcados, ainda insistiam em cantar.