7.12.2006

Olhos de Brasa!

Quem já esteve no meio do mato sabe que uma das experiências mais impressionantes é encontrar uma correição de formigas. Se a correição for das boas você chega a escutar o barulho das bichinhas andando por tudo quanto é canto. Aranhas, besouros, centopéias, minhocas, todos fogem desesperados.
Uma vez no Parque do Zizo eu estava na trilha do Mirante e vi um correição bem na minha frente. Luiz Fernando, meu grande mestre passarinheiro me chamou a atenção pois nesses casos temos uma boa oportunidade de observar as aves que seguem as formigas, pra comer o sem número de insetos que saem correndo fugindo da sanha assassina da tropa.
Uma das mais notáveis é Olhos de Brasa ou papa-taoca-do-sul, (Pyriglena leucoptera) com 18 cm essa ave da família da chocas (Thamnophilidae) é uma das mais ativas na caça aos insetos que fogem da correição. O macho é escuro com duas barras brancas nas asas, se destacam pelos olhos avermelhados, de onde vem o seu nome popular, já a fêmea é marrom. Aliás papa-taoca quer dizer papa formiga, pois taoca é o nome dada às tais formigas de correição.


Apesar de dificilmente avistado, mesmo quem não conhece muito sobre aves já escutou o Olhos de Brasa, pois seu canto é um dos mais marcantes da mata atlântica, desde o sul da Bahia até a Argentina, escute-o aqui registrado por Jeremy Minns e gentilmente cedido para o projeto AvistarBrasil e Rádio Eldorado FM. Essa será a voz que vai abrir o programa "Planeta Eldorado" com Patrícia Palumbo, nessa sexta feira 12h. Não Perca!

7.11.2006

Black sun



Ao final do dia milhares de aves evoluem no céu da Dinamarca.
Fenômeno conhecido com Black Sun numa evolução que lembra as nossas andorinhas.
Aliás onde estão hoje em dia??

Aqui vc. pode ver as fotos originais e fazer o download.
E esse é o passarinho Sturnus vulgaris




Sesc Interlagos – Observação de Aves em Sampa

O Sesc Interlagos é um dos poucos lugares em São Paulo que oferece Observação de Aves com uma relativa freqüência. A Lilian e a Maria Eugênia desenvolvem um bonito projeto de lavantamento de espécies e recebem nos finais de semana pessoas interessadas. A lista de ves pode ser vista no sempre completo site do CEO.

Abaixo um momento do passeio organizado durante o Avistar2006,Encontro Brasileiro de Observação de Aves.

Bird in tube!

Sr. Gunter, o sr está ocupado??

Lá estava eu metido até o pescoço no meu trabalho e a copeira Rose me perguntando se eu estava ocupado. Como assim?? Sem mesmo levantar os olhos da tela do computador eu concedo:– Pode falar Rose,
:– Sr. Gunter, o sr pode vir aqui um pouquinho??...
Como assim?? Eu aqui metido até o pescoço no meu trabalho,
:– ... é pra ver aquele passarinho.
Bem, existem coisas que são realmente importantes na vida e ajudar meus funcionários a identificar um passarinho com certeza é uma delas. Saí até lá fora, mais 3 pessoas paradas olhado pro jardim... Mas que folga é essa? Vamos trabalhar!
:– Seu Gunter, o passarinho tá alí


foto de Arthur Macarrão em www.aves.brasil.nom.br


Furnarius rufus, Que horror! Para de pensar como um cientista! Afinal é só um João de Barro, observe como ele caminha no chão , pé ante pé, não vai aos saltos, como o Sabiá ou o tico-tico. Pega um pouco de barro com o bico e some.
:– Lá na Paraiba eles são menores. Isso num é uma sabiá??
Furnarius rufus tá entendendo? Furnarius rufus. Rufus porque é avermelhado, não é cor de laranja como como o sabia laranjeira ( Turdus rufiventris murmuro comigo mesmo, pra ninguém ouvir). Furnarius pois constroi ninhos como um forno de barro. João de Barro pois pega o barro no jardim, num dia após a chuva, afinal na cidade num é em todo lugar que existe uma laminha... Certo?? ainda mais em pleno inverno, inda mais agora com o aquecimento global.
Volto ao meu trabalho, os dias passam, a secura volta.
:– Sr. Gunter, o sr está ocupado??
Lá estava eu metido até o pescoço no meu trabalho e a copeira Rose me perguntando se eu estava ocupado. Como assim?? Sem mesmo levantar os olhos da tela do computador eu concedo:– Pode falar Rose,
:– Sr. Gunter, posso regar o jardim?
Como assim?? Eu aqui metido até o pescoço no meu trabalho,
São 13h00, o sol esturricando lá fora, água nesse momento não é uma boa pras plantas...
:– ... é pra fazer um pouco de lama pra ver se aquele passarinho volta.

7.10.2006

Aves na mídia

Diversas matérias sobre as nossa aves na midia internet dessa semana. Vale conferir no excelente O Eco uma entrevista sobre o maior destino de observação de aves no Brasil, o Cristalino além disso tem matéria sobre o criatório conservacionista Crax e sobre a situação do Condor dos Andes

Além disso a revista Ciência Hoje desse mês aborda o problema da morte dos Albatrozes na costa brasileira.

Os seus problemas se acabaram!!


As seen in the New York Times!

Cansado de escutar um passarinho cantando ao longe sem poder identificar?
Cansado de torcer o pescoço tentando achar o passarinho em cima da árvore?
Os seus probrema se acabaram! Novo "Passarinho Identificator Tabajara"!(saudades do Bussunda!)


Pois bem, uma empresa americana acaba de lançar um aparelho que se propõem a identificar uma ave em campo a partir de seu canto. O aparelhinho lembra um binóculo com um microfone e tem capacidade de identificar um conjunto de até 60 aves dentre as mais comuns (dos estados unidos, of course)

Foi criado para sr um facilitador de aprendizagem, mas pode rapidamente evoluir em um identificador de campo "full feature". O brinquedinho sai pela bagatela de 800 dólares e é possível trocar o pacote de vozes de aves a identificar.

Falando sério. Essa discussão sobre idenficação eletrônica de vozes há muito me fascina: Já existem bons softwares de reconhecimento de voes humanas, seriam eles aplicáveis a voz das aves?? Será possível treinar um "Via Voice" da IBM para identificar um Sabiá???
Para refletir um pouco sobre esse assunto vejam por exemplo essa seqüência de posts e links:

Automatic bird call species recognition

Tecnaturalista!

Tecnaturalista! é o nome da coluna na "Atualidades Ornitológicas" desse mês:


Uma nova geração de gravadores digitais promete revolucionar a gravação de aves.
Surgiram a partir de necessidades do mercado musical e incorporam uma grande exigência de qualidade. Pré-amp de qualidade, phanton power para microfones, plugs de microfone mais robustos (P10 ou XLR, controle de nível de gravação e muito mais.
Permitem gravação em WAV ou MP3 e tem resposta de freqüência e S/R muito melhor que os MDs.



Em comum o fato de gravarem em CF-Cards, dipensando fitas e MDs e permitindo intercambiar midia e até arquivos com a camara digital e o computador.

A maioria se situa na faixa de 400 a 600 dolares e poderiam decretar o fim do MD na área. Resta saber como o mercado vai receber essas novidades.

LInks:

Micro-track

Edirol

Marantz

Aqui tem uma boa avaliação de soluções de captação de audio. Em todas as faixas de preços

7.09.2006

Serra do Japi



Observar aves é uma atividade para todo dia.
Morei no Japi por 10 anos, cada dia eram fotos e aves diferentes avistadas.
Esse é o Saí-andorinha, ele sumia durante uns meses e depois voltava sempre no inverno.
Observe a luz no galho seco do eucaliptus. Já meio avermelhada do fim de tarde. Um certo grão na imagem também.

No Japi



Esse é o Bico-virado
Fotografado em contra-luz, num eucalipto velho.

Rio Preto - RO

Descendo o rio Aguapeí




Durante 4 dias descemos o Rio Aguapeí, entre Lins e Duartina em SP, 3 botes e 8 pessoas. Acampando nas margens e observando aves.



Fotografar aves dentro do barquinho, com a corredeira, e o piloto inexperiente é uma grande aventura. Difícil focar e enquadrar, ainda mais com uma super-telefoto. A foto de uma pequena andorinha do rio sentada no troco seco com barco em movimento, já é um troféu.




Mas a viagem rendeu ainda mais, apesar de passar por regiões inteiramente agriculturadas, a pequena mata ciliar do rio garante uma avifauna interessante. Fizemos aqui o primeiro registro documentado do Sofrê em terras paulistas. Isso significa alguma coisa.





Aqui, lá no alto, mais alto que 500mm, um urubu-rei. Eu nunca tinha avistado um nessa região. Pra tirar essa foto eu tive que deitar no fundo do bote.

7.08.2006

Cafezinho p/ Schatzy

O bem-ti-vi e o fio



Essa foi uma das fotos mais importantes em minha carreira de passarinheiro.
Foi no Parque Nacional Sete Cidades, no Piauí.
O Ben-ti-vi ficou um bom tempo se esfregando no fio.

Achei que tivesse registrado um momento íntimo do bichinho.
Para minha decepção, depois de muitos anos o diagnóstico foi de que se tratava apenas de uma frutinha grudada nas penas.

Sonogramas


acabo de descobrir como fazer um bom uso dos Sonogramas.
é muito legal.

Ok, você não sabe o que é um sonograma.
Veja a imagem abaixo
representa o som de um pitiguari cantando.



Observe que cada variação de seu canto é registrado no gráfico, um mapeamento completo das freqüências do canto é mostrado em imagens. Na parte de cima vemos o mapa de freqüências e embaixo a amplitude do sinal.

Minha lente

Tenho uma lente pouco ortodoxa pra passarinhar.
É uma nikkor 500mm reflexiva. f8.0





Sei que muita gente vai torcer o nariz mas eu adoro minha lente. O que mais gosto é que ela é leve e curta, permite trabalhar na mão sem tripé, num bote no meio do rio:





Ou prá fotografar gavião voando...

Gatos são um grande problema



Quando eu era moleque criava passarinho, peixes e preás.
Ou seja não gosto de gatos desde que me conheço por gente. Tenho vários amigos e amigas ornitólogos que tem gatos em casa. Acho tremendamente contraditório. Gato come passarinho. Não tem como fugir dessa realidade. Mesmo bem alimentado, mesmo doméstico. Gato acaba com os passarinhos que estiverem a seu alcance. Definitivo.

aqui no bem completo site do Centro de Estudos ornitológicos, tem um excelente texto sobre esse assunto.

Vale conferir

7.07.2006

Canarinhos

Canário da terra fotorafado na fazenda do Prata MG


Comecei como imagino que todos os meninos começaram. Criando canarinho da terra numa gaiola. Peguei meu primeiro canarinho na cidade de Borborema, próximo ao rio Tietê e já naquele tempo me chamava a atenção a que os canarinhos já estivessem extintos em Marília, cidade onde nasci e cresci.

Caçava sangrinhos nos enormoes cafezais da Fazenda Cascata, em cujos grotões meu velho já dizia caçar maritacas com visgo de jaqueira... Muitos anos atrás.
Tinhamos um viveiro e nele havia diversas casais de sangrinho (tico-tico-rei) e colerinha.
Me lembro de uma geada forte que matou diversos deles de frio.



Sangrinho fotografado na fazenda do Prata MG

No início

Bem, foi assim que começou.
Um belo dia fiz um desenho de um sabia-laranjeira e ganhei o concurso do dia das aves.
Um diploma assinado por ninguém menos que o Dalgas-Frisch. Nem preciso dizer que isso me marcou pelo resto da vida e de lá pra cá me tornei um passarinheiro.