8.26.2006

– Sr, Gunther, os cuitelinho num vão aparecer...

Estava eu metido até o pescoço em meu trabalho quando vejo o vulto do Roberto passando em frente, sem levantar os olhos da tela, determinado e rápido, comandei:

– Roberto, por favor, compre um bebedouro para beija-flores.
– Imediatamente, Sr. Gunther.
– Mas não é pra gastar muito dinheiro com isso, quero um bebedouro simples, daqueles pra beija-flor.
– Ahhh entendi, entendi, imediatamente Sr. Gunther, com licença, com licença...

O barulho do motoboy, que partiu zunindo pelas ruas, me deixou tranqüilo, acreditando que o meu projeto de filmar as avezinhas finalmente iria começar a sair do papel. No dia seguinte por duas vezes percebi o vulto de Rose, a copeira, se aproximando de minha mesa, Rose, afinal, é uma figura fácil de ser notada, mas entretido com números e contas a pagar, cotação do dólar, mercado chinês etc..., não encontrei tempo para descobrir porque ela sumira tão rapidamente sem ao menos me interromper com seu chamado característico:

– Sr. Gunther! O senhor aceita um café? –

Nada de cafezinho, afinal o que estaria acontecendo? Tive que sair pra pegar o cafezinho e lá fora me deparo com um movimento incrível. O bebedouro estava instalado, os passarinhos, que já tinham descoberto a novidade, se deliciavam refrescando o solão da tarde, enquanto ao largo quatro funcionários olhavam o movimento.

– Todo mundo circulando, nada de ficar olhando os bichinhos! – bradei – Isso é um trabalho e vou filmar o comportamento dos beija-flores! Rose, por favor, quero um relatório completo! – continuei – Quantos passarinhos, que horas chegam, quanto tempo ficaram no bebedouro, tudo anotado!

Enquanto dava as ordens eu imaginava que devia ter contratado uma copeira alemã para dar conta do recado, mas não obstante ela ser bahiana os relatórios começaram a chegar. Em folhas de caderno e com letras redondinhas eu podia ver que o bebedouro estava finalmente cumprindo sua função. Porém até o momento, 4 dias após sua instalação somente os cambacicas faziam aparecer. Nada de beija-flores.

Continuei metido até o pescoço em meu trabalho, quando Rose veio me interromper.

– Seu Gunther, o Divino (o faxineiro) disse que os cuitelos num vão aparecer!
Sem levantar os olhos encerrei o assunto: – vão sim, pode esperar que eles aparecem!

Acredito ter ficado uns quatro dias envolvido com os problemas da "firma" antes de poder prestar atenção no Divino que insistia em me falar:

– Sr, Gunther, os cuitelinho num vão aparecer...

– Mas porque Divino, porque???

–Os cuitelinho num vão aparcer que é porque a Rose não colocou açúcar na água!

–Rose! Me diga Rose, vc. não colocou açúcar na água??

–Mas Sr. Gunther, se eu boto açúcar na limonada o Sr. briga comigo!...Porque eu ia colocar pros bichinhos??

3 comentários:

anapaulapazini disse...

Ahahahahahah!!! Além de passarinheiro eamante de haikais....ainda é um excelente contador de "causos" , Guto!!! Sem falar que seus funcionários são uma graça!!!!!

Anônimo disse...

mas que povo obediente e submisso sr. gunther, diga, onde o sr acha seus funcionarios?

Anônimo disse...
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